segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Ibejis ou São Cosme e São Damião

Ibeji é o Òrìsà dos gêmeos. Dá-se o nome de Taiwo ao Primeiro gêmeo gerado e o de Kehinde ao último. Os Ioruba acreditam que era Kehinde quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, donde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho.

Cada gêmeo é representado por uma imagem. Os Ioruba colocam alimentos sobre suas imagens para invocar a benevolência de Ibeji. Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em honra ao Òrìsà. Divide-se em masculino e feminino,(gêmeos). Em Oyó cultua-se como Êres ligado a qualidades de Sangô e Osun. Popularmente conhecido como Xangô e Oxum de ibeji.

Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e nasce: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas, etc.
Ibeji na nação Ketu, ou Vunji nas nações Angola e Congo. É o Orixá Erê, ou seja, o Orixá criança. É a divindade da brincadeira, da alegria; a sua regência está ligada à infância.

Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim como Exú, se não for bem cuidado pode atrapalhar os trabalhos com as suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração dos membros de uma Casa de Santo. É o Orixá que rege a alegria, a inocência, a ingenuidade da criança. A sua determinação é tomar conta do bebé até à adolescência, independentemente do Orixá que a criança carrega.

Dia: Domingo
Cores: Azul, Rosa e Verde
Elemento: Ar
Domínios: Nascimento e Infância
Símbolos: 2 Bonecos Gêmeos, 2 Cabacinhas
Saudação: Bejiróó!

Ibeji é tudo o que existe de bom, belo e puro; uma criança pode-nos mostrar o seu sorriso, a sua alegria, a sua felicidade, o seu falar, os seus olhos brilhantes. Na natureza, a beleza do canto dos pássaros, nas evoluções durante o voo das aves, na beleza e perfume das flores. 

É A criança que temos dentro de nós, as recordações da infância. Feche os olhos e lembre-se de um momento feliz, de uma travessura, e você estará a viver ou revivendo uma lenda deste Orixá. Pois tudo aquilo de bom que nos aconteceu na nossa infância, foi regido, gerado e administrado por Ibeji. Portanto, Ibeji já viveu todas as felicidades e travessuras que todos nós, seres humanos, vivemos. A lenda e a história de Ibeji, acontece a cada momento feliz de uma criança. Ao menos para manter vivo este importante Orixá, procure dar felicidade a uma criança. Faça você mesmo o encantamento de Ibeji. É fácil: faça gerar dentro de si a felicidade de estar vivo. Transmita esta felicidade, contagie o seu próximo com ela. Encante Ibeji com a magia do sorriso, com o amor de uma criança. E seja Ibeji, feliz!




Itan de Ibejis - Êres (São Cosme e Damião)


Os Ibejis nascem de Oiá e são criados por Oxum



Oiá andava pelo mundo disfarçada de novilha.

Um dia Oxóssi a viu sem a pele e se apaixonou.

Casou-se com Oiá e escondeu a pele da novilha,

Para ela não fugir dele.

Oiá teve dezesseis filhos com Oxóssi.

Oxum, que era primeira esposa de Oxóssi

E que não tinha filhos,

foi quem criou todos os filhos de Oiá.

O primeiro a nascer chamou-se Togum.

Depois nasceram os gêmeos, os Ibejis,

E depois deles, Idoú.

Nasceu depois a menina Alabá,

seguida do menino Odobé.

E depois os demais os demais filhos que Oxum criava

e assim viviam na casa de Oxóssi.

Um dia as duas mães se desentenderam.

Oxum mostrou a Oiá onde estava sua pele.

Oiá recuperou a pele de novilha,

reassumiu sua forma animal

e fugiu.

Texto: ( livro – Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – editora Companhia das Letras )







Os Ibejis são transformados numa estatueta



São filhos de Iemanjá

os dois meninos gêmeos, os Ibejis.

Os Ibejis passavam o dia a brincar.

Eram crianças e brincavam com Logum Edé

E brincavam com Euá.  

Um dia, brincavam numa cachoeira

e um deles se afogou.

O ibeji que ficou começou a definhar,

tão grande eram sua tristeza e solidão,

melancólico e sem interesse pela vida.

Foi então a Orunmilá e suplicou

que Orunmilá trouxesse o irmão de volta.

Que Orunmilá os reunisse de novo,

para que brincassem juntos como antes.

Orunmilá não podia ou não queria fazer tal coisa,

mas transformou a ambos em imagens de madeira

e ordenou que ficassem juntos para sempre.

Nunca mais cresceriam,

não se separariam.

São dois gêmeos-meninos

Brincando eternamente, são crianças.

  Texto: ( livro – Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – editora Companhia das Letras )